Garen nosso que estais no Top
Esse sonho é de Março de 2017.
No sonho, eu estava morando numa casa bem grande com dois andares, tipo o sobrado da minha vó em São Caetano.
Estava de noite, e eu estava fugindo de uns zumbis-fantasmas que ficavam perambulando pelo quintal, que era bem grande também. Evitava-os fazendo uns parkours pelo quintal e pelo terreno, tipo subindo por calhas até o terraço no segundo andar, e depois deitando no chão para ficar em stealth, enquanto observava-os de cima.
Perto do amanhecer eu encontrei o Quejinho escondido num barril de plástico azul, numa parte coberta do terraço onde tinha uns entulhos e uma churrasqueira abandonada. Perguntei o que ele estava fazendo ali, e ele respondeu que estava seguindo um mapa até um tesouro esquecido.
Curioso, perguntei onde ficava o tesouro, e ele disse que tínhamos que derrubar uma parede logo ali no terraço onde estávamos. Decidimos esperar pelo amanhecer para fazer barulho, pois de dia os zumbis-fantasmas não saíam da casa.
Pegamos umas marretas que estavam ali mesmo no entulho e começamos a bater na parede.
Após algum esforço, mas não muito, a parede caiu numa nuvem de poeira. Ao abaixar, nos deparamos com um quartinho inacabado, cheio de teias de aranha e pó. Dentro do quartinho tinham vários outros barris de plástico azuis, cheios de armas de swordplay que, somente no sonho, me eram familiares, como se fossem armas que a gente não via há muito tempo.
O Quejinho ficou todo tipo "Nooooossa, então foi aqui que eu guardei elas!" .
Lembro que tinha várias coisas legais, tipo uma lança com espinhos ao longo do cabo, uma foice com um anel grande no topo, além de várias espadas diferentes e porretes. Porém enquanto andávamos no quartinho olhando para as armas, notei que havia um buraco na parede fechado por tábuas de madeiras, e enquanto o Quejinho mexia nas armas, escutamos um som vindo do outro lado do buraco.
Parados em tensão e expectativa, encaramos o buraco na parede. Outro barulho, e agora vimos uma sombra passando nas frestas das tábuas. Outro barulho, e uma batida contra as tábuas. Seriam os fantasmas-zumbis?
E então as tábuas caíram, e do outro, estava o nosso amigo Pato.
Após algumas explicações, parecia que a parede que a gente derrubou era da casa dele, que ficava ao lado da minha nesse sonho, e a gente não sabia. E aquele quartinho era dele também.
O Pato ficou tipo "Nossa, o que vocês fizeram? Derrubaram minha parede!" e depois ficou tipo "Caralho, que foda, nem lembrava desse quartinho!".
A gente ficou tentando lembrar de quando que eram essas armas, ou porquê guardamos elas assim, fechadas num quartinho sem portas e janelas, apenas com um buraco na parede fechado com tábuas.
Então começou à anoitecer novamente, e o Capelo ligou no meu celular e disse que estava correndo pra cá por causa dos espíritos que saíam à noite, e não dava tempo dele chegar na casa dele. Saímos do quartinho para o terraço, e eu joguei uma corda pra rua por onde ele subiu. Ele estava com uma mochila nas costas e um cigarro na boca.
Assim que ele subiu a gente ficou tipo "Nossa, Capelo, você TEM QUE ver isso!" e mostramos o quartinho das armas. E ele: "Noooossa! Não acredito que vocês acharam essas armas!".
...
"Porquê são exatamente o que precisamos para enfrentar os espíritos!"
E aí ele contou que essas armas eram abençoadas pelo nosso Espírito de Luta Puro na Infância™, e que foram guardadas pois fora profetizado que seriam de vital importância na chegada dos Espíritos Zumbis™.
Fazia tanto tempo que foram guardadas que todo mundo tinha esquecido dessa profecia, mas quando o Capelo contou, a gente lembrou de tudo. Mas ficou uma sensação estranha de "Tá, realmente teve esse lance da profecia, eu lembro, mas era só uma brincadeira que inventamos quando éramos crianças. Não era para ser real!".
E acabou aí.
Eu acordei, ou acabou a reserva de drogas no meu cérebro.
Alô galera de caubói!
Tava com vontade de postar vários sonhos e conversas que eu tenho anotados, estava relendo aqui e morrendo de rir. Mas para não ficar duas postagens de sonho seguidas, decidi dropar alguns moments que tenho guardados desde Janeiro de 2017 e acabei nunca postando. o/
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*Biancardine me explicando as denominações gays contra a minha vontade*
Biancardine: Um otter é um cara gay magricela, mas cabeludo e barbudo. Enquanto que um bear é alguém gordo ou musculoso, e cabeludo e barbudo.
Twink é magro e sem cabelo. Twunk é forte e sem cabelo.
Termos da comunidade gay.
Eu: ...
Biancardine: Você seria um otter. Eu seria um bear.
Eu: ... Ceeeeeeeeerto.
Mas é engraçado, porquê eu fiz um teste daqueles de Harry Potter pra ver qual seria o meu patrono, e era uma lontra.
Biancardine: (ignorando) Isso só se refere ao TIPO DE CORPO, claro. No ato sexual, você tem top, bottom, e power-bottoms.
Eu: ... Eu não vou perguntar.
Biancardine: Top é quem penetra. Bottom é quem é penetrado. Power-bottom é quem é penetrado, mas controla a velocidade e força da penetração. Pense em cowgirl style.
Eu: Ok, vou deixar anotado.
Vlw, flw.
Biancardine: Deixe.
Se tiver qualquer dúvida, é só perguntar.
AH, e nunca faça rimming sem uma dental dam!
Você vai ficar com gosto de cu na língua por DIAS.
Eu: WTF U TALKIN ABOUT?!
... Please don't answer.
Biancardine: Rimming é o ato de lamber o cu de outrém.
Dental dam é uma proteção oral para sexo oral.
Eu: Não sei o quê eu faria sem suas aulas de conhecimento geral homossexual gratuitas.
Biancardine: Beberia menos. E teria menos pesadelos.
Eu: É.
*pausa do trabalho, indo ao BK*
Rodolfo: Eu não aguento comer o Stacker Triplo E os nuggets.
Eu: Tô com tanta fome que se vacilar eu como até a atendente.
Eu: Passa o refri.
Qjn: Pra quê?
Eu: O meu copo tá vazio.
Qjn: Seu pessimista de merda!
O post: Mova apenas um palito pra resolver a equação. 6+4=4
Cap. America: 5+4=9
Iron Man: 0+4=4
*GUERRA CIVIL*
Eu: 8-4=4 seria quem então?
Alisson Balbino: Eu.
Eu: Ah.
Alisson Balbino: Porquê a Guerra Civil acaba quando um terceiro se mete.
Eu: Pensei que era "guerra civil" e não "casados no civil".
*chegando na casa do Tolin pra comer HAMBÚRGUERES CASEIROS*
Contriller: *entra* ITADAKI-FUCKIN-BURGERS!
*falando sobre arco-e-flecha*
Eu: Espero que meu arco chegue até o mês que vem.
Capelo: Acho que mês que vem eu vou comprar um também.
Eu: Cool, we can be bowdies! o/
Qjn: Há quantos meses você está guardando esse trocadilho?
Eu: HÁ TREZE ANOS.
EM AZKABAN.
Eu: Tava aqui pensando nuns grupos de vilões da Marvel...
A Hydra tem aquele lema "Corte uma cabeça, e duas nascerão no seu lugar". Que é bem foda e tem significado.
O lema da Mão, que são os ninjas do Demolidor, seria bem lame em comparação: "Corte uma mão e sobra outra." ou "Corte um mamão e ainda sobra uma pêra, uma maçã..."
*vendendo um deck de Magic*
Tolin: Adoraria adquirir, porém no momento estou meio sem grana.
Qjn: Tá todo mundo sem grana. D:
Tolin: É a crise, e pelo visto essa crise vai longe.
Eu: Tão longe que vamos sair dessa crise e já emendar com uma crise da meia idade.
(Nota pós-edição: Já emendei. -q)
Random na internet: Frio, eu não te chamei! Eu não fiquei feliz com a sua presença. Você intensifica minha enxaqueca. Você me deixa inútil, você queima meu chuveiro.
Aumenta o gasto da energia mensal e pior de tudo, os moradores de rua sofrem mais.
Vai embora que aqui é país tropical!
Eu: Vota no Bolsonaro, manda gente pra Cuba e diz que aqui é país cristão, mas não diz isso não.
Pensamento da semana:
"Liberar o ki é fácil, quero ver liberar o cu."
Qjn: Que ônibus tem que pegar mesmo?
Eu: É o 194... ou 149. Não prestei muita atenção
Qjn: Você tem prestado atenção em alguma coisa?
Eu: Ahn?
"Comprei tantos doces e sorvetes que estou simulando a felicidade com sucesso."
*comendo no melhor restaurante do mundo*
Qjn: Eu queria saber o que eles colocam nesse rango. Deve ser crack.
Eu: Não, é só arroz, cebola e carne.
Qjn: Quero dizer o tempero.
Eu: Ah. É crack.
Qjn: Buets!
*mais tarde no mesmo dia*
Eu: Sukiya melhor comida.
Milkshake melhor sobremesa.
Magic melhor jogo.
Quejinho melhor pessoa.
Melhor dia!
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Olha, esse tá de parabéns! Foi um pesadelo roteirizado e detalhado que me deixou tremendo na base quando finalmente consegui acordar. Daria um filmaço! O quê é estranho porque eu não assisto nenhum filme ou nada de terror tem um bom tempo já, tem um ou dois anos provavelmente. Ótima maneira de começar o ano com o pé direito!
Como o sonho foi muito longo pra eu contar pras pessoas por mensagem, decidi escrever ele aqui e quando precisar mando o link. -q
O filme sonho começa comigo no carro dos meus pais, na estrada. Atualmente meu pai só tem kombis (3 delas, não me perguntem o porquê), mas ele já teve uma Blazer antes, e acho que era este o veículo em que dirigia desta vez. Estávamos procurando uma praia, bem isolada, que havíamos visto num anúncio. Minha mãe tinha o folheto em mãos, e tentava nos guiar até o local, mas não estava funcionando muito bem, e eles mais discutiam do que outra coisa. O anúncio era como se fosse um prêmio, ou sorteio, e dizia algo do tipo: "Parabéns! Vocês ganharam X dias de estadia no Hotel Y. Ele fica no local Z, venham desfrutar de nossa belíssima praia particular, exclusiva dos nossos clientes!"
A foto era de um prédio antigo, de cor avermelhada ou rubra, e era bem alto, tipo mais de 20 andares, com vista para uma praia paradisíaca. Parecia o tipo de prédio alto e antigo que você só encontra em Nova Iorque, ou no centro antigo de São Paulo.
Meu pai dirigia por uma estrada bem fechada com mato dos dois lados, que parecia não levar à lugar nenhum. Por fim, chegamos à um acostamento, daqueles maiorzinhos onde dá para parar o carro e observar a paisagem, e que supostamente deveria ser o local correto, mas não havia nada além de árvores à vista. Estacionamos o carro ali e paramos para pensar e esticar as pernas.
Enquanto meus pais discutiam sobre o caminho certo, ou sobre como deveria ser ali de acordo com o mapa, eu comecei a ouvir barulho de água. Subi numa espécie de banco de pedra que tinha ao longo do acostamento e notei que o barulho não era do mar, mas de um córrego canalizado que corria logo ao lado do banco. As paredes laterais do córrego eram de pedra também, e tinham algumas vigas para atravessar de um lado para o outro, tal qual um córrego que corre próximo à onde estudei em Santo André.
Do outro lado do córrego, porém, consegui avistar o tal prédio do hotel, e a luz do mar. Ou melhor dizendo, a luz do Sol refletida no mar.
Logo avisei meus pais que conseguia ver o hotel, e notamos que no ponto mais curto, o córrego deveria ter menos de 2 metros para atravessar por uma das vigas. Deixamos o carro estacionado no acostamento e decidimos atravessar. Neste momento, surgiu uma outra família, também estacionando no acostamento, e procurando o mesmo hotel, com o mesmo anúncio em mãos. Eram um casal com uma criança de uns 4 anos de idade, crescida o suficiente para andar sozinha, mas não muito bem, e nem falar muito bem também.
Falamos do córrego e do hotel do outro lado, e avisamos para atravessarem com a criança em colo. Após todos atravessarem o córrego sem maiores problemas, andamos um pouco pelo mato até que saímos diretamente... Numa praia. Não era A praia que imaginávamos, e definitivamente não era paradisíaca. Era minúscula, tipo um quintal de fundo. Não achei uma imagem de uma praia tão pequena, então segue a imagem da menor praia que consegui achar, e um boneco de referência para fazê-la parecer menor.
Minha opinião (que ninguém pediu) sobre Bloodborne. Eu estava ranteando no tuíter, mas quando vi já tinha um texto imenso, então achei que poderia aproveitar que ainda tenho esse blog e postá-lo aqui. E a prática de escrever algo maior e mais elaborado também é algo que me agrada e não faço faz tempo, então preciso aproveitar este momento de inspiração.
Pois bem. Por muito tempo ignorei este título por não ser um RPG medieval e por sua fama de ser mais difícil e não ter escudos, quando comparado à Dark Souls. Eu sou (e admito isso) muito chato com jogos, jogo pouquíssimas coisas, e não dou chance pra uma cacetada de opções. Mas quando encontro um jogo que eu gosto, eu jogo bastante (ainda jogando Skyrim desde 2011). E só por ter gostado de Dark Souls 1 e 3, não significa que eu vá gostar de tudo que o mesmo estúdio faça, certo? Vai saber quantas variações do mesmo estilo de Dark Souls eles vão lançar pela vida. Não quero me comprometer em jogar todas. Não me considero um fanático do estúdio, ou do gênero, e nem que eu goste de jogos difíceis. Apenas apreciei a tomada diferente e original que tiveram com o gênero, e as decisões de design, jogabilidade e etc. Se eu quiser jogar algo parecido com Dark Souls, eu vou apenas REJOGAR Dark Souls, não preciso de mais do mesmo. Essa é a minha lógica.
Na minha cabeça, Bloodborne era apenas um lançamento de mais um jogo no estilo Dark Souls, dessa vez com temática de caçar monstros nas ruas de Londres, tipo um Van Helsing. Ou seja, não seria um RPG medieval aberto à todos os estilos (por exemplo onde você pudesse escolher ser um cavaleiro de escudo, ou um mago, ou um arqueiro, etc.), além de ter ARMAS DE FOGO. Somente pareceu-me esquisito.
Foi quando descobri aleatoriamente que a trama do jogo tem uma reviravolta: Em certo momento do jogo, você não está mais só caçando monstros. Há todo um cenário de horror cósmico baseado em H. P. Lovecraft (autor de O Chamado de Cthulhu, entre outros) envolvendo seres cósmicos horrendos e de caráter apocalíptico, e a loucura crescente nas pessoas que sequer interagem com os rastros deles. Para quem não sabe, eu literalmente já li e possuo todos os livros e contos do Lovecraft, e foi quando soube desta conexão que me convenci à testar o jogo.
O resultado é que eu fiquei bem contente em ter me dado a chance para experimentar Bloodborne (2015): É um verdadeiro horror Lovecraftiano escondido numa temática vitoriana gótica londrina, com um visual que num geral eu gostei bastante. Se você joga Magic, vai identificar a semelhança visual, de temática, cenário e roupas, com o set de Innistrad (2011). E certamente é difícil de acreditar que a reviravolta mais tarde em Sombras de Innistrad (2016) não tenha se baseado diretamente neste jogo, embora teoricamente estivesse em produção, ou pelo menos conceituada, bem antes do lançamento.
Num geral a experiência foi muito satisfatória, muito interessante e realmente imerssiva. Você se sente num jogo de terror, com medo de progredir, mesmo tecnicamente sendo um action RPG. (Um sentimento que me remeteu para a quest/fase Ocean House Hotel em Vampire the Masquerade: Bloodlines (2004), que na época até ganhou prêmio de melhor level design.)
PORÉM eu tenho sim algumas reclamações bem sólidas que me fazem entender perfeitamente o motivo de tanta gente desistir do jogo antes mesmo dele começar direito (o troféu do PRIMEIRO boss, por exemplo, já tem um índice de menos de 50%, e a porcentagem de conquista vai diminuindo drasticamente com os bosses subsequentes). Coloco isso como culpa do jogo, e não dos jogadores, e por isso acabo mais fazendo ressalvas e discordando quando escuto alguém dizer que o jogo é perfeito, do que concordando.
Chegamos na motivo de eu ter começado este post: Vou agora divagar sobre essas ressalvas/reclamações.
1. A dificuldade acima do normal para o early game quando você não conhece o jogo. Mesmo para um jogo da From Software, é ainda mais difícil e menos explicatório / noob friendly do que Dark Souls, o que é dizer muito. O começo é de longe a parte mais difícil para quem não sabe o que está fazendo, não havendo bem uma escada de aprendizado... Está mais para um MURO de aprendizado.
2. Perante tal dificuldade, você nem ao menos pode UPAR DE LEVEL para tentar melhorar sua situação, e não sabe nem ao menos o porquê. E olha que digo isso mesmo achando realmente legal a lore/temática/desculpa para você não ter acesso ao level up no começo do jogo. (Não vou dar um spoiler direto, mas tem tudo a ver com seu personagem ficar gradualmente louco.)
3. Outra coisa muito ruim em comparação aos Dark Souls, é o item de cura ser um item consumível. Anteriormente nestes jogos, sim, você morria muito, mas seu estoque de item de cura resetava junto com os inimigos. Desta vez, você pode ficar sem. Se você ficar preso numa área/boss e morrer, digamos, umas 4 vezes, provavelmente suas curas acabaram e terá que farmar o item matando inimigos em outras áreas, e comprando o item com o vendedor, se quiser continuar tentando progredir.
Isso me broxou MUITO em alguns bosses que eu adoraria ter tentado e tentado várias vezes seguidas passar sozinho, até mesmo ao longo de dias como foi com o Pontífice Sullyvahn ou o Nameless King em Dark Souls 3. Mas como eu tinha que parar e ir farmar a cada 2 tentativas, preferi fazer co-op e acabar com o aquilo logo. Farmar REALMENTE corta o barato do momento e te tira do mood da luta contra o boss.
4. Além disso, vamos mencionar a história. Ela consegue ser ainda mais críptica, ilusória, e de difícil acesso que todos os outros jogos do mesmo estúdio, e isso sim é DIZER MUITO. Anteriormente, você tinha que ter um bocado de atenção e interpretação, e se dedicar ativamente à ler descrições de itens e lembrar-se de diálogos e interações, ou até mesmo o posicionamento de certas coisas no cenário, para fazer as relações necessárias para compreender a história, ou o que está acontecendo ao seu redor. Mas aqui, temos muito menos itens com descrições reveladoras, elas são ainda mais vagas que de costume. Não espere entender o que você está fazendo até ter terminado o jogo, e mesmo assim ainda precisará assistir um vídeo de 30 minutos de conjecturas e opiniões, caso esteja interessado em compreender tudo que quiseram colocar no jogo.
Uns podem falar que não compreender o que está acontecendo é algo natural nesta temática, uma vez que os humanos estão fadados à jamais entender os segredos dessas criaturas cósmicas vindas do infinito aterrador... Mas também podemos dizer que existe um limite aceitável, e chega num ponto em que não apresentar a história de uma forma melhor e mais clara apenas significa que não tem uma história de fato, e sim algo que possa ser chamado apenas de uma ambientação/plano de fundo ricos em detalhes e cheios de segredos vagos para você interpretar.
5. E por último, o mais surpreendente. Ao contrário daquela dificuldade mencionada presente no começo do jogo, durante a maior parte do midgame, as fases, ou os inimigos, ficam fáceis até demais.
Diferente dos inimigos ágeis e numerosos que geravam combates cheios de ação que te apresentam ao estilo do jogo logo na primeira área, mais tarde temos muitas áreas grandes e com inimigos lentos e espaçados, e isso gera muitos momentos repetitivos de avanço lento e metódico, com jogadas seguras onde você não é obrigado a tomar riscos.
Começa-se a notar isso na segunda parte da Floresta Proibida, com as cobras que você encontra por lá, mas os maiores exemplos disso são Byrgenwerth e o Castelo Cainhurst. Essas são áreas altamente antecipadas ao jogador, e que quando você finalmente chega lá e as conhece, são praticamente desertos de inimigos solitários e lentos, em grandes espaços abertos e vazios.
Mais uma vez alguns podem dizer que isto é intencional, afinal ambas são áreas abandonadas também na lore, que passaram por alguma coisa que matou a maioria de seus habitantes... Mas também podemos dizer que Byrgenwerth chega a parecer uma zona inacabada e apressada, coisa que comprovadamente existe no jogo, pois por exemplo temos uma porta no Distrito da Catedral com a qual você CONSEGUE interagir, e diz estar fechada, que faria conexão com a ponte onde você enfrenta a Cleric Beast. Essa passagem/conexão foi cancelada mais tarde, mas não removeram a porta, e nem a interação com ela, gerando em mim uma decepção muito grande quando soube que nunca poderia abrir ela. Quando algo não está ali para ser aberto, ou você não pode interagir com aquilo at all, ou está visivelmente bloqueada por detritos. Toda porta que te dá a mensagem "Fechado" deve ser aberta em algum momento.
Tendo dito isto tudo, ainda assim, estou muito contente em ter jogado Bloodborne. Ou melhor, em estar jogando, afinal ainda não fechei. (No momento em que escrevo, falta ainda terminar a DLC, além de fazer mais Chalice Dungeons antes do boss final. E sim, a dificuldade retorna nesta parte.) E provavelmente continuarei jogando após fechar com outros personagens.
Apenas gostaria que fosse ainda melhor e não tivesse esse aspecto broxante do farm, que atrapalha uma experiência que PODERIA ser perfeita, mas não é.
É difícil um jogo de RPG (ou action RPG) ser perfeito. Poderia citar Elders Scrolls VI: Skyrim (2011) ou o previamente mencionado VTMB, porém estes só estão realmente completos com mods corrigindo seus bugs e adicionando conteúdos inacabados. Undertale (2015) e Deltarune (2018) são exemplos de perfeição, também pela premissa inovativa dentro do gênero, e de igual ou maior dificuldade que os títulos da From Software em certos momentos, mesmo considerando as limitações gráficas.
Tenchu 2: Birth of the Stealth Assassins (2000) também foi um RPG perfeito, completo sem DLCs e mods, como era feito em sua época. E quem diria? A From Software teve relações com a publicação de alguns títulos da franquia Tenchu no Japão, o que provavelmente os levou à posteriormente lançar seu próprio action RPG de ninjas; o tal do Sequilho: Shadow Die Twice (2019). Jogo que eu ainda não joguei, pois como falei antes, se eu quiser um jogo tipo Tenchu, eu jogo Tenchu!
Portal (2007) e Portal 2 (2011) são perfeitos, mas não são RPGs, eu só quis mencionar mesmo.
Mas sabe o que mais foi perfeito? Dark Souls (2009). Mas está tudo aqui: O level design, o sound design, a jogabilidade fluída cheia de ações e consequências, o clima pesado e desesperador... As mensagem de "try finger, but hole". Claramente tentaram algo diferente aqui em Bloodborne, e posso dizer que acertaram em cheio na temática, ambientação, gráficos, música... Apesar dos pesares, no final, minha avaliação é um sólido 8/10.
Não é o 10/10 que os fãs tanto exaltam, mas hoje em dia as pessoas gostam de ser passionais sobre tudo. O fato é que, se está de 8 para cima, já vale à pena jogar e rejogar!
E lembrem-se: "Um caçador nunca está sozinho, então vamos limpar essas ruas pútridas."